SÃO PAULO - Esperado com ansiedade pelos investidores, o desempenho da Vale (
VALE5,
VALE3) no segundo trimestre deste ano ficou em linha com o registrado no mesmo período de 2007.
Entre abril e junho deste ano, a mineradora reportou um lucro líquido de R$ 4,573 bilhões, o que representa um recuo de 21,7% frente ao mesmo período de 2007, quando foi registrado um lucro de R$ 5,842 bilhões.
Apesar de o lucro líquido ter recuado frente ao período anterior, o Ebitda - um dos indicadores mais acompanhados pelo mercado - que mede a geração operacional de caixa da empresa, alcançou a cifra recorde de R$ 10,473 bilhões.
Confira os números:
| (em R$ milhões) |
2T08 |
2T07 |
% |
Projeção* |
% |
| Receita Operacional Líquida |
18.335 |
17.809 |
+2,9% |
18.217 |
+4,0% |
| Ebitda** |
10.473 |
10.255 |
+2,1% |
9.125 |
+15,0% |
| Lucro Líquido |
4.573 |
5.842 |
-21,7% |
5.037 |
-9,0% |
*Projeções dos analistas da Brascan
**Lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização
O
Retorno sobre Patrimônio Líquido (ROE) - relação entre o lucro líquido e o patrimônio líquido; medida de retorno para os acionistas do capital investido na empresa - mostrou recuo em sua medição anualizada, ao passar de 34,4x entre abril e junho de 2007 para 24,8x em iguais três meses deste ano.
Cabe ressaltar que os resultados da mineradora foram ajustados pela nova lei das S/A.
No padrão contábil USGAAP, a empresa alcançou um lucro líquido recorde de US$ 5,009 bilhões no trimestre.
Trimestre de recordes
Voltando ao padrão contábil BRGAAP, o período também foi marcado por recordes em alguns indicadores importantes da Vale. Entre eles, destaque para a receita bruta de R$ 18,884 bilhões, para o lucro operacional de R$ 9,2 bilhões e para o Ebitda, que alcançou R$ 10,473 bilhões.
As receitas com minério de ferro e pelotas também estabeleceram novos recordes históricos no período, alcançando as cifras de R$ 7,926 bilhões e R$ 2,442 bilhões, respectivamente.
Diversificação da receita por produto
No segundo trimestre, a Vale alcançou um novo recorde de receita operacional bruta, com a marca de R$ 18,884 bilhões, com aumento de 3,8% em relação ao mesmo período de 2007, determinado pelos efeitos causados pela variação dos preços dos produtos.
De acordo com a mineradora, "os movimentos distintos nos preços do minério de ferro (alta) e do níquel (baixa) exerceram influência determinante na composição da receita por produto e por destino no trimestre".
| Evolução da participação percentual na composição da receita bruta |
| Produto |
2º trimestre 2008 |
2º trimestre 2007 |
| Minerais ferrosos |
59,5% |
41,1% |
| Minerais não ferrosos |
31,9% |
51,0% |
| Carvão |
0,9% |
0,4% |
| Serviços de Logística |
4,9% |
5,2% |
| Outros |
2,7% |
2,1% |
| Receita Bruta (R$ milhões) |
18.884 |
18.197 |
Em termos de distribuição geográfica, 38,5% da receita bruta é proveniente de vendas para Ásia, 33,3% das Américas, 24% da Europa e 4,2% de outras regiões do
mundo. A China foi responsável por 17% da receita, o Brasil 16%, Japão
10,6%, EUA 8,7% e Alemanha 5,2%.
Custos crescem
Um dos pontos destacados diz respeito à estrutura de custos da mineradora. Em relação ao CPV (Custo dos Produtos Vendidos) no segundo trimestre, o total foi de R$ 7,891 bilhões, valor 6,5% maior que o verificado no segundo quarto de 2007.
Segundo a companhia, os principais fatores responsáveis pelo aumento foram a elevação de preços dos insumos, o crescimento da produção e o arrendamento das plantas da Nibrasco e Kobrasco.
Papéis sobem
À espera da divulgação dos resultados, as ações preferenciais classe A da Vale encerraram o pregão desta quarta-feira com valorização de 1,86%, cotadas a R$ 36,71. Já os papéis ordinários fecharam com alta de 1,37%, sendo negociados a R$ 42,20.