SÃO PAULO - Até o ano passado, foram cadastrados nada menos que 21.859 EES (
Empreendimentos Econômicos Solidários), nos quais participam 1.687.496 pessoas, segundo dados do Sistema Nacional de Informações em Economia Solidária, coordenado pelo Ministério do Trabalho e Emprego. Essas empresas geram R$ 8 bilhões por ano, já que o sistema revelou que o valor médio mensal dos serviços e produtos ofertados por elas chega a R$ 653 milhões.
Entre 2003 e 2007, foram criados quase oito mil EES no Brasil, com uma média de 1,5 mil novos empreendimentos a cada ano. O crescimento é acentuado, sobre tudo na região Nordeste, onde se concentra o maior número de EES obtendo 43,5% do total de registros. Em segundo lugar aparecem Sudeste (17,9%), Sul (16,4%), Norte (12,2%) e Centro-Oeste (10,1%).
Governo regulamenta comércio justo
O comércio justo é o movimento que propõe desenvolvimento sustentável, melhores condições de troca e garantia dos diretos para produtores e trabalhadores que estão à margem do mercado. Os negócios do segmento impulsionam a economia solidária.
Dada a importância desse mercado, o Ministério do Trabalho e Emprego deve concluir, em dois meses, no máximo, a instrução normativa que irá regulamentar, orientar e padronizar o Sistema Nacional de Comércio Justo e Solidário, garantiu o coordenador-geral de Comércio Justo e Crédito do Ministério do Trabalho, Antonio Haroldo Mendonça, à Agência Brasil.
Segundo ele, a idéia é aperfeiçoar o instrumento
on-line, ou seja, via internet, utilizado para dialogar com empreendimentos mapeados pelo Sistema Nacional de Economia Solidária, visando "criar uma frente nova de mercado, que é o comércio eletrônico".
A relação comercial por meio da web pressupõe ter um produto ou um serviço à disposição daquele que fornece e daquele que compra. A ferramenta, que já se encontra funcionando em caráter experimental no site do FBES (Fórum Brasileiro de Economia Solidária, www.fbes.org.br), é orientada pela perspectiva de criar, no País, um Sistema Nacional de Comércio Justo.
Uma atuação diferenciada no mercado
O Comércio Justo e Solidário diz respeito a relações comerciais fundamentadas em princípios como o respeito ao meio ambiente, a igualdade entre homens e mulheres, a promoção de direitos da criança, a ética, a gestão democrática, a transparência na relação comercial e, é claro, no preço justo.
A modalidade assegura a cooperativas e associações de produtores a possibilidade concreta de inclusão social, geração de renda e desenvolvimento local sustentável.
Com o objetivo de disseminar o conceito e reforçar a prática, o Sebrae implementa, nesta semana, quando é comemorado o Dia Mundial do Comércio Justo, ações em diversos estados. Em Brasília, as atividades começam nesta quinta-feira (8). Durante o evento, colaboradores do Sebrae irão conhecer mais sobre o Projeto de Comércio Justo da instituição, e as ações desenvolvidas no País.