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Brasileiro já percebe motivação financeira em cuidar do meio ambiente

Por: Flávia Furlan Nunes
05/06/08 - 18h27
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SÃO PAULO - "A motivação para começar a cuidar do meio ambiente começa também pelo bolso". A afirmação é da coordenadora da área de capacitação comunitária do Instituto Akatu pelo Consumo Consciente, Raquel Diniz.

De acordo com ela, o cidadão brasileiro já percebeu que cuidar da natureza também gera menores gastos. Pesquisa realizada pelo Akatu em 2006 comprova esta afirmação: 59% da população entrevistada - mais de 2 mil pessoas - já conseguia enxergar uma motivação econômica no consumo consciente.

Mas, de acordo com ela, o que ainda barra o consumidor a tomar atitudes sustentáveis é que vivemos em um paradigma de consumo. Desde a Revolução Industrial, a sociedade é estimulada a comprar, usar e jogar fora, sem pensar nas conseqüências.

O consumo consciente
Mudar este quadro necessita que o homem, nas palavras de Raquel, "se veja inserido novamente na cadeia da vida" e perceba que terá ganhos econômicos ao cuidar do meio ambiente. "É importante que o consumidor desperte para o seu papel de agente transformador".

No processo de consumo, a assistente de conteúdo do Instituto Akatu, Rita Nardy, aponta uma maneira fácil de se preparar para o novo paradigma de 'cuidar do meio ambiente'. É usar os quatro R da compra consciente.

"O primeiro é repensar: eu preciso mesmo deste produto? O segundo é reduzir, ou adquirir somente o que for necessário", afirma Rita. Outro passo é reutilizar, o que significa doar e transformar o bem, para não descartá-lo. Depois que o recurso cessou, o último R é o de reciclar.

Atitudes
Para reforçar esta idéia de que o consumo consciente traz ganhos, em comemoração do Dia Mundial do Meio Ambiente, nesta quinta-feira (5), a InfoMoney selecionou algumas atitudes que o cidadão pode tomar para preservar os recursos naturais e, ainda, ter mais benefícios financeiros:
  • Produtos: Crie um novo critério para a compra de produtos: o impacto sobre o aquecimento global. Dê preferência aos fabricados na região, ou mais baratos, com material reciclado, de maior vida útil e com certificado de origem.

  • Energia: A geração de energia é uma grande fonte de emissão de gases de efeito estufa. Apague as luzes ao sair dos ambientes, reduza o tempo dos banhos e desligue os aparelhos eletroeletrônicos, quando não estiver usando. Tudo isso ainda diminui a conta de luz!

  • Lixo: Quanto menor o volume de lixo, menos gases emitidos para que seja armazenado. Aposte na reciclagem - com a qual é possível conseguir juntar um dinheiro - ou ajude alguma entidade com esta finalidade. Dessa forma, há economia de água, energia e matéria-prima.

  • Roupas: Existe uma forma de adquirir roupas novas, e sem gastar! O clothing swap, ou encontros de troca de roupas, é a nova fórmula adotada por norte-americanos e britânicos para poder economizar e renovar o armário. Os modelos encalhados na gaveta são ofertados em bazares para realização de troca.

  • Turismo: Jogar latas, sacolas plásticas e garrafas no chão, quando se viaja a um lugar diferente, pode trazer efeitos negativos tanto para o meio ambiente quanto para o bolso do turista e da população local. Isto porque, enquanto o ambiente é poluído com estes objetos, o governo local deve gastar mais para a preservação da natureza e, com isso, produtos e serviços são inflacionados.

  • Água: Em 2050, mais de 45% da população mundial não terá a quantidade mínima de água necessária para o consumo diário. De acordo com o gestor de unidade de Negócios Mizumo, divisão do Grupo Jacto, Giovani Toledo, reutilizar água é mais do que uma questão de responsabilidade ambiental, mas econômica e, acima de tudo, humana.
O investimento consciente
Para ajudar os investidores que pensam no meio ambiente, a Bolsa de Valores de São Paulo criou, em dezembro de 2005, em parceria com a FGV (Fundação Getúlio Vargas), a IFC (International Finance Corporation) e mais oito entidades, o Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE).

O índice reúne uma carteira composta por ações de empresas altamente ranqueadas em responsabilidade social. Segundo publicação do Instituto Ethos, "o índice reúne em uma carteira as ações de empresas que tenham forte desempenho financeiro e atuação em questões sociais, ambientais e corporativas que possam ser consideradas sólidas a longo prazo".

De acordo com a coordenadora do Instituto Akatu, quando o assunto é investimento, é crescente a preocupação do brasileiro para onde o dinheiro está indo. O total de pessoas que apostam em empresas responsáveis, por sua vez, ainda é pequeno dentro do universo de investidores do País.

"Essa preocupação está caminhando. Mas, se os bancos criam fundos sustentáveis, é porque existe essa demanda, ainda que pequena", finaliza.
 
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