SÃO PAULO - "Após um início de ano turbulento, as perspectivas ainda bastante positivas para a recuperação cíclica da economia global voltaram a dar o pano de fundo para os mercados financeiros". Iniciando o capítulo de perspectivas de sua carta mensal com esta frase, a GAP Asset Management apresenta a rentabilidade de seus fundos durante o segundo mês de 2010, assim como suas projeções para a economia.
Analisando o cenário macroeconômico, a gestora de fundos enxerga problemas de natureza completamente opostas entre os países desenvolvidos e emergentes. Na extremidade rica, os analistas continuam esperando que a recuperação da economia norte-americana siga em ritmo moderado, ao passo que na Europa as incertezas em torno da situação fiscal de alguns países membros da Zona do Euro continuam sendo o principal teor de cautela.
Contudo, o noticiário recente mostra que algumas medidas deverão ser tomadas para diminuir a relação da dívida líquida/PIB (Produto Interno Bruto) dos países endividados no velho continente, além da sinalização de possíveis auxílios financeiros por parte de membros da União Europeia. Já nos EUA, os recentes indícios de consolidação são vistos pela GAP como fundamentais para que o país dependa cada vez menos dos estímulos governamentais.
Na ala dos emergentes, a preocupação é outra. Na China, a expansão exacerbada da economia nos últimos meses tem ligado o sinal de alerta do mercado acerca de uma possível formação de bolha. No Brasil, as pressões inflacionárias e a forte recuperação do País deverão levar o Bacen a dar início ao ciclo de aperto monetário já na próxima reunião do Copom, que ocorrerá nos dias 16 e 17 desse mês. A GAP trabalha com uma elevação de 50 pontos-base na Selic no encontro da semana que vem, levando a taxa para 9,25% ao ano.
Exposição em Vale
A gestora destacou em seu relatório mensal o aumento de sua participação em ações da Vale (VALE3, VALE5). De acordo com eles, o resultado operacional negativo do último trimestre de 2009 da mineradora ofuscou o horizonte promissor diante das cotações de minério de ferro, cujos preços spot (à vista) já avançaram 10% em relação à abertura do mês.
O otimismo da GAP Asset Management em relação aos ativos da mineradora refere-se exatamente a isso. Para a gestora de fundos, o mercado ainda não precificou essa evolução nos preços à vista da commodity metálica, por conta dos dados contábeis dos últimos três meses de 2009. "Desta forma, o (ainda) pequeno avanço das ações da Vale no período se mostrou uma excelente oportunidade para que aumentássemos significativamente a nossa exposição ao setor de mineração", conclui a GAP.
Performance em fevereiro
De acordo com a carta mensal, o principal destaque de rentabilidade ficou com o fundo multimercado GAP Absoluto, "que busca ter parte da alocação de risco em estratégia com prazo de maturação mais longo". Durante fevereiro, o fundo teve rentabilidade de 1,01% - ou 169,7% do CDI (Certificado de Depósito Interbancário).
A gestora também ressaltou a estratégia de manter-se posicionada na compra em taxas de juros futuros, "consistente com a visão de que o Banco Central deve dar início a um ciclo de aperto monetário já na primeira semana de março", assim como sua posição vendida em relação ao dólar futuro, com ambas as movimentações resultando em performance positiva.
Por outro lado, o segmento de renda variável gerou um resultado levemente negativo para o fundo, diz a GAP, que realizou modificações no portfólio durante o mês. "Fizemos aumentos significativos em nossa participação de Vale. A maior parte da posição foi estruturada como uma posição long short contra o índice futuro".