SÃO PAULO - Motivo de certo desconforto para os mais céticos, o crescente
número
de empresas ingressando na Bolsa de Valores de São Paulo em 2007 não assusta os especialistas do mercado de renda variável. Contudo, há a necessidade de um olhar mais atento dos investidores sobre o preço das novatas.
Esta é a interpretação da maioria dos analistas consultados pela InfoMoney, nesta quinta-feira (22), sobre um possível excesso de ofertas de ações no mercado de capitais brasileiro. Desde o início do ano, as distribuições públicas de ações na Bolsa já captaram R$ 6,182 bilhões, o equivalente a 20% de todo o montante captado em 2006, de R$ 30,693 bilhões.
"Não acho que (o excesso de ofertas) possa prejudicar o desempenho da Bolsa, há muita oferta porque do outro lado há um excesso de demanda", afirmou Rossano Oltra da XP Investimentos. O analista destaca o elevado rateio dos papéis que tem ocorrido nas operações, no qual a participação de estrangeiros é entre 60% e 70%, o que indica a robustez da demanda.
Empresas caras
Apesar disso, os especialistas ressaltam que esta forte popularidade da Bovespa promove a entrada de empresas com preços caros e múltiplos elevados. Até a metade fevereiro, sete companhias estrearam na Bovespa, e, atualmente, 14 empresas estão com solicitações junto à CVM (Comissão de Valores Mobiliários) para abrir capital.
"Há muitas empresas entrando, mas nem todas são baratas", disse o analista da Corretora Geração Futuro Luiz Alberto Binz. O economista enfatiza a necessidade de cuidado com o valor das ofertas, dado que, apesar de já incorporar perspectivas positivas para determinado setor, é importante aguardar os resultados da empresa em particular.
Para Marcello Giancoli da Intra Corretora, por enquanto, somente companhias boas abriram capital, mas a tendência é de que empresas menores iniciem este processo, exigindo uma maior análise por parte dos investidores na hora de aplicar em uma estreante.
"O mercado está avaliando acima do esperado alguns setores, como construção civil", conclui Binz, que vê neste ponto o único empecilho deste
boom de ofertas na Bolsa. Dos sete
IPOs (oferta inicial de ações) realizados em 2007, cinco são de empresas do setor imobiliário.
Retorno rápido
Segundo o analista da XP Investimentos, todo este ritmo acelerado evidencia um amadurecimento do mercado brasileiro. Já Giancoli acredita que, como o histórico de
IPOs é positivo no geral, o que os investidores buscam é uma oportunidade muita rápida de ganhar dinheiro.