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Consumo consciente: prática não depende da classe social

Por: Patricia Alves
15/06/07 - 09h29
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SÃO PAULO - "O poder de escolha e a distinção entre desejos e necessidades estão presentes nas decisões de consumo em todas as classes sociais". A afirmação é do Instituto Akatu, contrariando a idéia de que o consumo consciente só é possível para pessoas com renda mais alta, já que "baixa renda não tem como ficar escolhendo com consciência".

De acordo com o Instituto, mesmo entre as classes com menor poder aquisitivo, as decisões de consumo envolvem as mesmas questões, como "por que", "de quem", "como" e "onde" comprar, premissas básicas do consumo consciente.

Entre os conscientes, 57% estão nas classes C e D/E
Pesquisa* do Akatu sobre "Como e por que os brasileiros praticam o consumo consciente" mostra que 5% da população é consciente na hora de consumir. Destes, 57% pertenciam às classes C e D/E e 43% estavam nas classes A e B.

De acordo com Hélio Mattar, diretor-presidente do Akatu, nota-se, portanto, que não existe uma predominância de uma classe sobre outra na adesão ao consumo consciente. "Consumo consciente é acessível a todas as classes sociais", afirmou o executivo durante plenária na Conferência Internacional 2007 - Empresas e Responsabilidade Social, promovida pelo Instituto Ethos.

Quando se considera a somatória dos "conscientes" com os "engajados", percebe-se que 1/3 dos brasileiros já pratica, no mínimo, 8 das 13 condutas que são referência atualmente em relação ao consumo consciente.

Status (%)
Conscientes 5
Indiferentes 8
Engajados 28
Iniciantes 59
*A pesquisa ouviu, em 2006, 1275 pessoas em 11 capitais

Pequenos gestos, grande diferença
Segundo Mattar, é importante que a população tome a iniciativa. "Pequenas atitudes, repetidas ao longo de muito tempo, fazem muita diferença", completou.

Para ele, consumir com consciência não significa deixar de comprar, mas avaliar a decisão de compra.

"Por que, como, o que e de quem comprar, além de como usar e como descartar devem fazer parte dos questionamentos antes de efetuar a compra", ensinou.

Além disso, hábitos devem ser mudados, de olho no futuro:

  • Consumir diferente: avaliando os impactos (nos indivíduos, relações sociais, natureza e economia);

  • Consumir solidariamente: pensando no próximo;

  • Consumir sustentavelmente: de olho nas próximas gerações.
"Atos individuais são transformadores da sociedade e atuam como multiplicador do consumo consciente", concluiu.
 
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