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Maiores da bolsa: hora de voltar a comprar ações da Petrobras e da Vale?

Por: Gustavo Kahil
20/08/07 - 15h01
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SÃO PAULO - Em menos de um mês, o preço das ações mais negociadas da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), Petrobras (PETR4) e Vale do Rio Doce (VALE5) reduziu em aproximadamente 20%, refletindo à crise dos mercados de crédito imobiliário de alto risco (subprime) nos EUA.

O movimento, contudo, não reflete de perto os fundamentos das duas companhias, mas sim um fluxo de saída de recursos dos investidores estrangeiros das bolsas em mercados emergentes, que buscam reduzir riscos em momentos turbulentos. Como os papéis das duas são os mais líquidos, tendem aos primeiros a serem vendidos.

Estas ações, contudo, também são as primeiras beneficiadas de uma reversão de tendência nos mercados. "Em momentos de turbulência, o investidor pode ir para papéis de primeira linha, porque, em uma arrancada da bolsa, são estes papéis que são os primeiros a andar", afirma Edson Hydalgo Júnior, diretor da Trust Investimentos, parceira da corretora do banco Cruzeiro do Sul em entrevista recente para a InfoMoney.

Em queda
23/07 17/08 Variação
PETR4 57,50 46,40 -19,3%
VALE5 83,50 68,00 -18,5%
Ibovespa 58.036 48.558 -16,3%


Petrobras: momento de compra
O analista do BB Investimentos, Nelson Rodrigues de Matos, trabalha com um preço-alvo de R$ 57,41 para as ações preferenciais da Petrobras em dezembro de 2007, o que representava um potencial de valorização tímido frente à cotação do papel em 23 de julho. Agora, com a expressiva queda, o analista acredita que foi aberto um momento de compra das ações.

Apesar disso, Matos lembra que a estatal tem atrasado o início da produção de novos projetos, o que reduz a estimativa de produção da companhia para 2007. "A produção do mês de junho mostrou um crescimento pequeno porque muitos projetos da Petrobras estão atrasados, são três plataformas grandes que devem entrar a partir de setembro", explica.

A empresa lucrou R$ 6,8 bilhões no segundo trimestre do ano, acima das projeções dos analistas, que agora esperam um segundo semestre mais positivo. "Olhando os resultados do primeiro semestre, acreditamos que a Petrobras está na rota de superar nossa expectativa para o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) de 2007", justifica a equipe do Credit Suisse em relatório.

Vale: minério de ferro em alta
A equipe do Banif Investment Banking está com o preço-alvo e recomendação em revisão para as ações da Vale do Rio Doce, mas também avalia que a expressiva queda torna os papéis mais atraentes. "Está em um timing bom para voltar".

Os analistas lembram que a forte redução nos preços do níquel assustou muitos investidores, mas que as projeções para o minério de ferro seguem positivas: "Esperamos uma alta de mais de 20% no preço do minério de ferro para o ano que vem".

Se houver um abalo maior no crescimento econômico mundial, o mercado de níquel da Vale é que deve ser o mais afetado, explica o Banif. "Na parte do minério de ferro, a base de crescimento deve ter uma leve queda, já que um terço da produção é exportada para a China".

Segundo os analistas, entretanto, a China está muito voltada para o mercado interno, o que deve "salvar" o país de um agravamento da crise nos mercados internacionais, mantendo o ritmo de importação dos produtos da Vale do Rio Doce.
 
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