SÃO PAULO - A possibilidade da fusão entre a Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) e a BM&F (Bolsa de Mercadorias & Futuros) levantada por
matéria publicada no Wall Street Journal na edição desta quinta-feira (29) atiçou o ânimo dos investidores.
De acordo com o jornal, depois da abertura de capital, a BM&F e a Bovespa deverão se unir. As
ações ordinárias
da Bovespa Holding encerraram em forte alta esta sessão, tendo alcançado valorização de 7,05%.
"A possibilidade da união é muito grande", avalia Rodrigo Pasin, sócio da Value Consultoria, empresa especializada em fusões e aquisições. Ele afirma, inclusive, que foi estudada a possibilidade de uma abertura de capital em conjunto.
"Por que não as duas juntas?"
"Foi até pensado em fazer um IPO em conjunto antes da abertura de capital, mas o ego das duas não deixou", diz. "É algo que o mercado sempre se pergunta. Por que não as duas juntas?", diz o analista que avalia o cenário de consolidação global do setor como um fator que impulsionaria a operação.
Hoje, a maior bolsa global é o grupo Nyse Euronext, resultado da fusão entre a Nyse Group e a européia Euronext. O grupo compreende mercados na Bélgica, França, Holanda, Portugal e Reino Unido, além dos EUA.
Segundo dados da WFE (World Federation of Exchanges), o grupo possuía participação de 33,57% da negociação mundial no primeiro semestre de 2007. Logo em seguida, aparecem a Nasdaq com 14,56% e a LSE (London Stock Exchange) com 11,8%. A Bovespa ocupa a 21ª posição, com 0,5% do mercado global.
"Um ativo interessante"
Para Eduardo Roche, gerente de análise da Modal Asset Management, a fusão é uma das possibilidades dentro dos potenciais cenários para ambas as empresas. "O valor de mercado das duas está bastante elevado, até maior do que as empresas internacionais".
"Reforçaria o Brasil como um pólo financeiro na América Latina, muito à frente do México", afirma Roche. "Um player deste porte torna-se um ativo interessante", avalia Rodrigo Santos, analista de renda variável da Meta Asset Management.
Santos acredita, entretanto, que uma troca de participação minoritária seria mais interessante pelo fato de um possível acordo de não competição. "Existe um contrato de licença do Ibovespa futuro para a BM&F e sempre existe o risco de que isso não possa ser renovado. Com a fusão esse risco cai", explica.
Para ele, há um grande potencial de sinergia, especialmente em custos com uma possível plataforma integrada de negócios. Com um evidente processo de consolidação no setor, todos os analistas consultados são unânimes na avaliação de que a criação de uma nova companhia abriria caminho para uma nova parceira internacional.
BM&F já busca parceiras
A própria BM&F traça como uma das principais estratégias de negócios a busca de novas alianças e parcerias. "Pretendemos aproveitar possíveis oportunidades de expansão das nossas atividades por meio da formação de parcerias ou alianças estratégicas que nos auxiliem na competição por novos mercados", diz a bolsa no prospecto de sua oferta.
Alinhada com este cenário, a bolsa já alienou 20% do seu capital logo depois da desmutualização. Em transação que envolveu o montante de R$ 1 bilhão, a bolsa vendeu 10% do capital para a General Atlantic LLC.
Além disso,
anunciou uma sociedade na qual o CME Group vai adquirir cerca de 10% das ações da BM&F pelo valor de R$ 1,3 bilhão, em troca de uma participação de aproximadamente 2% no CME Group.