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Credit Suisse projeta cenário positivo para a economia brasileira nos próximos anos

Por: Equipe InfoMoney
03/12/09 - 21h40
InfoMoney

SÃO PAULO - Após turbulentos meses de crise, a economia tem mostrado graduais sinais de retomada, com economias emergentes como o Brasil conseguindo se destacar perante o resto do mundo. Tendo em vista esse cenário promissor, o Credit Suisse traçou suas perspectivas para a atividade econômica brasileira nos próximos dois anos, mantendo um viés positivo para o País.

Para os analistas do banco, o ano de 2010 será marcado por um forte crescimento no PIB (Produto Interno Bruto). Outros fatores outrora preocupantes - como atividade industrial, concessão de crédito e taxa de desemprego - deverão mostrar evolução. Por fim, o juro básico brasileiro deve sofrer ajuste no próximo ano, ao passo que a inflação deva ficar dentro da meta.

Selic a 10,25% ao ano em 2010
Segundo os especialistas do Credit, a taxa básica de juro brasileira deverá ser elevada a partir do próximo, repercutindo a expectativa de forte expansão da atividade econômica, o que pode alimentar incertezas em torno da dinâmica de preços dos produtos. Mesmo com o receio de que a inflação saia do controle, a expectativa de que a variação de preços fique em torno da meta faz com que essa elevação no juro seja menos expressiva.

Dessa forma, o banco prevê que a Selic aumente em 150 pontos-base a partir do segundo trimestre do ano que vem, passando de 8,75% ao ano para 10,25% ao ano, patamar que deve ser mantido até o final de 2010. Contudo, os juros podem permanecer estáveis, caso o PIB mostre desaceleração no seu ritmo de crescimento, acompanhado de baixa inflação.

Caso a inflação se mantenha dentro da meta nos próximos anos e a atividade econômica registre um crescimento potencial, poderão ocorrer novos cortes na política monetária, levando o juro básico a 9% ao ano em dezembro de 2011. "A manutenção da inflação inferior ao centro da meta reduz o risco de aumento significativo das expectativas de inflação", afirmam os analistas.

PIB: expansão de 6,5% em 2010
Durante o ápice da crise financeira, a atividade econômica brasileira reportou duas retrações trimestrais consecutivas, configurando o estado de recessão técnica. Contudo, o País conseguiu se fortalecer durante os meses seguintes, principalmente por conta dos estímulos concedidos pelo governo, como isenção de impostos, cortes sequenciais na taxa de juros e investimentos em infraestrutura.

Os analistas do Credit Suisse esperam que o PIB brasileiro feche 2009 com uma variação positiva de 0,2%. Já em 2010, a expansão deverá ser de 6,5%, impulsionada principalmente pela melhoria tanto da oferta (produção industrial) quanto da demanda (investimentos e consumo familiar), além do cenário mais propício para obtenção de crédito.

Demanda e investimentos em alta
Sobre a demanda doméstica, a expectativa do time de análise é de que o crescimento visto em 2010 seja de 8,6%, ao passo que os investimentos deverão reportar uma evolução de 20% no próximo ano, praticamente o triplo da expansão do PIB. Segundo o banco, sentimento de confiança e retomada do crédito sustentarão essa tendência.

"A rápida retomada da confiança dos empresários e consumidores em um cenário de recuperação do crédito e de melhora das condições no mercado de trabalho sugere um cenário favorável para a aceleração dos investimentos e do consumo das famílias em 2010", dizem os especialistas, justificando suas projeções.

Indústria e emprego também avançam
O setor industrial brasileiro saiu fortalecido da crise graças a dois fatores: o crescimento menos significativo das taxas de desemprego e as desonerações tributárias - como a isenção do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), que impulsionou a demanda por produtos da linha branca e automóveis.

"Os setores mais dependentes da demanda externa e dos investimentos foram os mais atingidos pela crise", afirmam os analistas, esperando para o ano de 2010 uma recuperação dos níveis de atividade da indústria, passando de um recuo de 4,8% (previsto para este ano) para uma expansão de 8,8% em 2010, principalmente por conta da melhora na demanda doméstica.

Ainda em torno do setor industrial, a equipe do Credit avalia o forte impacto nos níveis de emprego durante 2008 e 2009. Segundo os avaliadores, a retomada da produção e a expectativa de crescimento da economia contribuirão para melhorar os indicadores do mercado de trabalho brasileiro durante os próximos anos.

Dessa forma, a taxa de desemprego, que fechou 2008 com uma média anual de 7,9%, deverá aumentar para 8,2% neste ano. Já para os próximos dois anos, os analistas da instituição financeira esperam ver retrações sequenciais para os patamares de 7,5% e 6,5%.

Recuperação do crédito
Outro segmento que também deve apresentar melhorias nos próximos anos é o de concessão de crédito. Essas operações ficaram fortemente limitadas durante o agravamento da crise financeira, por conta do cenário de menor liquidez. Segundo os avaliadores, o ritmo de expansão do crédito bancário deverá cair de 31,1% em 2008 para 13,5% neste ano.

Contudo, as perspectivas do banco são positivas para o setor. "A retomada do crescimento econômico, a ampliação do crédito direcionado e a recuperação da oferta de financiamentos elevarão o crédito bancário de 46% do PIB em 2009 para 51% do PIB em 2010 e 55% do PIB em 2011", esperam os analistas do Credit Suisse.

Dentre os segmentos de atuação, o que mais ganha destaque é o crédito bancário habitacional, concedido para quem pretende adquirir uma casa. A fatia desse financiamento aumentou em 42,5% em outubro de 2009, passando a representar 2,9% do PIB, tendência que deverá se manter em 2010, "em razão do aumento nos financiamentos dos programas oficiais de habitação", como o plano "Minha Casa, Minha Vida", do governo federal.

Inflação dentro da meta
Analisando agora a evolução dos preços, a equipe de análise do Credit Suisse espera que o cenário de inflação se mantenha dentro da meta. Apesar da forte expansão esperada na demanda doméstica, um rali mais moderado nos preços das commodities e um aumento no fluxo das importações deverão conter a alta nos preços, esperam os avaliadores.

O aumento na entrada de produtos internacionais será consequência direta da moeda brasileira ainda mais fortalecida em relação ao dólar. É esperado pelo banco suíço um dólar cotado a R$ 1,60 no final de 2010, fato que "estimula importações e compensa alta dos preços de commodities", dizem os analistas, que esperam uma inflação de 4,2% em 2009, 4% em 2010 e 4,5% em 2011.

Contudo, o Credit ressalta o fator commodities como o principal risco para que essas projeções não se tornem realidade, tendo em vista o seu histórico de instabilidade de preços e sua parcela de importância na balança comercial brasileira. Segundo o relatório, o comércio de matérias-primas representa 27% das importações e 62% das exportações totais do País.