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Bom momento da bolsa vai além dos recordes recentes do Ibovespa Por: Felipe Abi-Acl de Miranda 03/10/07 - 18h00 InfoMoney SÃO PAULO - Dois pregões de queda e a ameaça de perda da marca de 60 mil pontos pelo Ibovespa foram suficientes para investidores levantarem dúvidas quanto à sustentabilidade dos recordes recentes atingidos pelo mercado acionário brasileiro. O temor é de que teríamos passado por um período de euforia, derivado da redução da Fed Funds Rate em 0,50 ponto percentual, para 4,75% ao ano. Se efetivo, o fenômeno reservaria um movimento de intensa realização de lucros nos próximos pregões, para corrigir os potenciais exageros. A efetividade da questão, porém, não encontra respaldo na avaliação de analistas. Isso porque o bom momento da renda variável brasileira vai além da simples escalada de seu principal índice. Outros recordes Como destaca a HSBC Corretora em relatório de perspectivas para o mês de outubro: "não é só pelo número de pontos que a performance da bolsa paulista impressiona, mas também pelo volume negociado". De acordo com cálculos da corretora, o volume financeiro diário da Bovespa já alcançou R$ 5,0 bilhões no segundo semestre deste ano, com crescimento de 25% frente aos primeiros seis meses do ano. Na comparação com o mesmo período de 2006, o incremento é de 108%. Para corroborar a interpretação, a HSBC lembra da quantidade e do volume de ofertas de ações. O ano corrente já supera 2006 e representa um recorde histórico nestes dois critérios. Indo mais além, a corretora identifica uma inflexão no momento atual da Bovespa, com diminuição da participação de aplicações exclusivamente de curto prazo. "A melhora nos fundamentos e os avanços de governança corporativa trouxeram investidores experientes, cujo principal objetivo é a maximização de recursos no longo prazo." Múltiplos ainda baixos Também descartando a possibilidade de abandono da tendência de alta pelo Ibovespa, o Credit Suisse reafirmou sua confiança na trajetória ascendente das ações brasileiras, além de lembrar da permanência de boas condições de liquidez na esfera externa. Em termos fundamentalistas, o banco suíço estima uma relação Preço sobre Lucro para 2007 de 13,2x do mercado acionário doméstico, o que representa um dos menores múltiplos entre os emergentes. Mesmo com a recente evolução, o preço dos papéis internamente ainda estaria atrativo na comparação com seus pares internacionais. O bom momento das ações reflete uma dinâmica global e não isolada. Dividendos mais atrativos Outro aspecto por trás do ganho de popularidade da renda variável relaciona-se à dinâmica de dividendos, cuja atratividade seria maior em um cenário de queda nas taxas de juro. Novas reduções na Selic implicariam um custo de oportunidade do capital também menor. Os dividend yields projetados receberiam maior interesse do investidor. Nunca na história desse País... Ter medo da pontuação inédita não encontra embasamento. Novamente recorrendo aos dizeres da HSBC Corretora: "não se trata de um movimento positivo isolado; o mercado acionário doméstico está diante de um momento único". |